« Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
Senta-se à mesa com a gente.
Fica bem esta franqueza, fica bem,
Que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente
Foi no Domingo passado que passei
À casa onde vivia a Mariquinhas
Mas está tudo tão mudado
Que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuinhas
Do rés-do-chão ao
telhado
Não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
E há um vidro pegado e azulado
Onde via as tabuinhas »
« Solidão de quem tremeu
E a tentação do céu
E dos encantos, o que o céu me deu
Serei bem eu
Sob este véu de pranto »
« Mas Deus deu-me o fado
Fado e alegria
Bairro alto aos seus amores tão delicados
Certa noite deu nas vistas
Fui sair com os trovadores e mais o fado
Para fazer novas conquistas
E Hoje santo e velhinho
Recordando com carinho
Seus amores, suas paixões
Para lembrar saudades suas
Ainda foi p’ro meio da rua
Cantar as suas canções
Trovas antigas
Saudade louca
Andam cantigas a bailar de boca em boca
Tristes bizarras em comunhão
Andam guitarras a gemer de mão em mão
Tristes bizarras em comunhão
Andam guitarras a gemer de mão em mão
»
« Quando
a tristeza me invade
Canto o fado
Se me atormenta a saudade
Canto o fado
Quando a tristeza me invade
Canto o fado
Se me atormenta a saudade
Canto o fado
Quando a tristeza me invade
Canto o fado
Se me atormenta a saudade
Canto o fado
Quando a tristeza me invade
Canto o fado
Se me atormenta a saudade
Canto o fado
Quando a tristeza me invade
Canto o fado
Se me atormenta a saudade
Canto o fado
Haja ciúme à vontade
Canto o fado
Por uma esperança perdida
Não passe na vida
Por um mau bocado
Se assim a sorte a esqueceu
É fazer como eu
Deixe andar cante o fado »